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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Copa 2014 promete aquecer o setor de franquias Segmentos de idiomas e imobiliário estão atentos às oportunidades nas cidades-sedes do evento

Na ABF Expo, empresários buscam novos negócios.     As perspectivas de negócios para o setor de franchising em 2010 são positivas, podendo registrar um crescimento de 16%. O ano corrente, no entanto, não é o único foco de expansão das redes de franquias brasileiras. De olho na demanda que será gerada pela Copa do Mundo de 2014, as cidades-sede dos jogos no Brasil devem ser contempladas com novas unidades de redes de diversos segmentos. 

Alguns serão ainda mais incrementados e preparam estratégias especiais para gerar mais receita até o evento. As oportunidades de negócios para o setor estão sendo apresentadas na 19ª ABF Franchising Expo, a maior feira de franquias da América Latina, iniciada ontem no Expo Center Norte, em São Paulo.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, aponta que o varejo deve passar por um crescimento indiscriminado, puxado pela alta circulação de turistas nos locais que receberão as partidas. Shopping centers e centros comerciais devem ganhar novas lojas franqueadas em todos os níveis. Algumas franquias, ainda, devem alavancar determinados setores favorecidos com a chegada dos estrangeiros.    "Eventos desse tamanho garantem investimentos crescentes na construção civil, fora outras áreas que precisarão de infraestrutura como o turismo e o estudo de idiomas", diz o dirigente. Camargo prevê que muitos produtos específicos serão gerados, impulsionados pela Copa.

Presente em 13 municípios gaúchos, a escola de idiomas CNA vê o evento esportivo como uma grande oportunidade para a abertura de novas franquias. No estande da ABF Franchising Expo 2010, em São Paulo, a empresa divulga produtos recém- lançados com foco no evento. Pensando nos cerca de 500 mil turistas que devem chegar ao País em 2014, o grupo idealizou cursos direcionados para taxistas, vendedores e outros profissionais que estarão em contato direto com os visitantes.
Além disso, o diretor comercial de expansão da CNA, Juzeti Lopes, revela que a atual estratégia de recrutamento de alunos conta com o chamado Snack (um pequeno curso de aulas demonstrativas) que aborda temas sobre a Copa do Mundo. A identificação com o mundo esportivo também é abordada pelo diretor. "Investimos constantemente em mídia esportiva, cerca de R$ 15 milhões ao ano, que tem um alcance muito grande e desperta a curiosidade do investidor pela marca". O planejamento da rede estima agregar, em um período que se iniciou ano passado e vai até 2012, 400 novos pontos.

Na Fisk, que também trabalha com o ensino de outras línguas, a procura de empreendedores para a abertura de franquias no entorno das cidades-sedes de 2014 já foi percebida. Por isso, há a preocupação em se antecipar a essa demanda. Com crescimento estável de aproximadamente 20% ao ano em números de unidades, a rede tem como objetivo a abertura de ao menos 50 novas escolas anualmente.

Somente no ano passado foram 108 novas unidades, superando as expectativas. "Nosso primeiro trimestre de 2010 foi 15% melhor do que em 2009", comemora Fernando Lobo, supervisor de franquia da Fisk. Ele afirma que a região Sul é destino dos próximos investimentos da companhia e, somente em Porto Alegre, cinco novas unidades devem ser inauguradas, uma no mês que vêm e as outras até o fim de 2011. 

No mercado imobiliário, a Copa será o grande cartão de visita do Brasil. A expectativa é do diretor-executivo da Remax Brasil, Peixoto Accyoli. A rede internacional entrou no mercado brasileiro em outubro, com planos de fechar o ano com 100 franquias. Até ontem, porém, já estava com 68 unidades negociadas, fato considerado um êxito pelo dirigente. Para 2014, pretende fazer do País uma opção para a segunda residência de turistas estrangeiros, com uma rede de imobiliárias franqueadas que já contam com 10 escritórios na região Sul, onde chegou a poucos dias e nem mesmo realizou a abertura oficial das negociações. "A Copa será o melhor momento para vender o Brasil como investimento imobiliário e turístico", destaca.


Por Mayara Bacelar, de São Paulo

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lançamentos imobiliários vão se concentrar no 2º semestre em SP - Em 2009, das 35 mil unidades vendidas, quase 9.000 saíram em novembro e dezembro

O setor imobiliário deve bater recordes históricos de vendas, produção e faturamento em 2010, como resultado da grande procura das famílias e do aumento da renda do brasileiro após a crise. A estimativa é de pesquisas de associações ligadas ao setor e da própria Caixa Econômica Federal, que responde por 75% de todo o crédito habitacional concedido neste ano.

Mas esse resultado só vai ser visto entre os meses de julho e dezembro – período que responde por praticamente dois em cada três lançamentos imobiliários. Dados do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário do Estado) mostram que, em 2009, das 35.832 unidades vendidas (quase 3.000 a mais que o previsto), cerca de 9.000 saíram nos últimos dois meses.

A Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) diz que mais de um terço fica sempre concentrado nos últimos meses do ano. Com tamanha euforia no mercado, as construtoras veem com bons olhos a realização de outro feirão na segunda metade do ano. A Caixa não comenta o assunto.

Fábio Rossi Filho, diretor de lançamentos da Itaplan, diz que o mercado está acostumado com um volume menor de vendas nos primeiros seis meses. Por isso, a construtora trabalha com 45% de lançamentos no primeiro semestre e 55% no segundo.

- Tem unidades que são remanescentes, trabalhadas durante o primeiro semestre, e só acabam sendo lançadas no segundo. Assim também ocorre com as do segundo semestre que refletem no primeiro do outro ano. Qualquer hora do feirão é bom.

O diretor-geral da Living, construtora do grupo Cyrella, Antonio Guedes, vê como posição estratégica essa atitude da Caixa em lançar seu evento entre maio e junho.

- O efeito do feirão agora no primeiro semestre é muito positivo, porque estamos quase no meio do ano. Ele ajuda a vender o estoque que foi lançado no fim do ano e ainda absorve os produtos que eu ainda vou lançar daqui a dois ou três meses. Ele ajuda nos dois semestres.

Ele diz que ter outro feirão seria “muito bom”, mas trata-se de um evento caro e que envolve uma movimentação muito grande de recursos e funcionários. Sem contar que já há um evento semelhante, o Sisp (Salão Imobiliário de SP), realizado em setembro. A diferença é que o público-alvo dele tem renda superior ao do feirão.

Flavio Prando, vice-presidente de habitação do Secovi-SP, diz que o mercado está aquecido e vai se manter assim neste ano, com mais feirões ou não.

- O programa do governo Minha Casa, Minha Vida criou facilidades importantes para que as pessoas investissem na compra da casa própria. Quase todas as faixas de renda de imóveis cresceram em vendas. Estamos vivendo uma economia estável com controle de inflação, e isso é muito importante para o setor.

Segundo ele, a economia está crescendo e as pessoas ficam mais confiantes para investir em imóvel.

- Eu diria que o ano de 2010 deve ser melhor do que 2008, que foi um ano muito positivo para o setor. Acho que pode ser considerado um ano recorde, tendo mais feirões ou não.


Fonte: R7 / Marcel Gugoni

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Presidente da CAIXA reforça parceria com corretores de imóveis durante Feirão


"Quero registrar e um agradecimento especial à confiança das construtoras, dos agentes imobiliários, e, especialmente, dos corretores de imóveis, que foram os primeiros a confiarem nesse processo. Foram os primeiros também a estarem conosco acreditando no potencial do Feirão." Essas foram as palavras da presidente da CAIXA, Maria Fernanda Ramos Coelho, durante seu pronunciamento na abertura do 6º Feirão da Casa Própria de São Paulo, no último dia 13.

Maria Fernanda fez um discurso que enfatizou a importância dos parceiros da instituição para o sucesso deste evento consagrado pelo público. "O grande diferencial da CAIXA não é o resultado do seu lucro mas a sustentabilidade, o compromisso com a sua missão, com atuar na promoção da cidadania e ser uma parceira estratégica da habitação. A política habitacional é uma âncora desse relacionamento."

Além da presidente do banco, do vice-presidente de Governo, Jorge Hereda; do superintendente nacional para o Estado de São Paulo, Maurício Antonio Quarezemin e do superintendente regional, Valter Gonçalves Nunes, fizeram parte da cerimônia o Ministro das Cidades, Márcio Fortes; o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; o secretário de Habitação do Estado, Lair Krähenbühl; o secretário adjunto Municipal de Habitação e presidente da COHAB-SP, Ricardo Pereira Leite; o presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto; o presidente do Secovi, João Crestana; a presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo, Patricia André de Camargo Ferraz, e o presidente do Sinduscon, Sergio Watanabe.

Segundo o presidente do CRECISP, a sexta edição do Feirão já o reputa como o maior evento imobiliário do Brasil. "As perspectivas são muito boas, até porque pesquisas do CRECISP mostram que, no mês de fevereiro, 75% das transações ainda foram realizadas à vista, indicando que há um espaço muito grande para crescermos. E por outro lado, atestam que, dos 25% de negócios realizados através do financiamento, 85% foram feitos através da CAIXA."

Jorge Hereda e Lair Krähenbühl também deram destaque para a união de forças dos diversos segmentos da sociedade, no sentido de minimizar o déficit habitacional do País. "É a primeira vez na história que o governo assume que sem subsídio é impossível se atingir as famílias que mais precisam de habitação nesse país", disse Hereda. E o secretário da Habitação ressaltou que "os desafios vão ser repartidos".

Kassab afirmou que o momento é de comemoração pelas milhares de famílias que têm sido atendidas com essa iniciativa conjunta. "Nada vai para frente se não tivermos uma parceria muito sólida, da sociedade civil, dos empreendedores, do poder público nas suas diversas instâncias. E hoje temos uma parceria em favor do Brasil e da habitação."

Já o ministro das Cidades, Márcio Fortes, foi categórico ao mencionar o sucesso da política habitacional do País. "A palavra sonho não existe mais no dicionário da casa própria. Agora, o sonho virou realidade."


Fonte: Site Creci-SP/Joice Holzel

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CRECISP reforça importância do corretor nas transações


A partir do dia 10 de maio, as pessoas que passarem por algumas estações de Metrô na Capital ou por ruas de diversos municípios do Estado terão a oportunidade de conhecer as novas peças publicitárias que fazem parte da campanha de valorização do profissional Corretor de Imóveis que o CRECISP está lançando.

Com mensagens curtas e diretas, os outdoors, busdoors e anúncios reforçam o principal objetivo do Conselho Regional: conscientizar a população de que só é possível concretizar um negócio imobiliário com segurança através de um Corretor.

No Metrô, as mensagens serão veiculadas em diversas estações das linhas Azul, Verde e Vermelha, com textos que remetem às principais dúvidas dos compradores de imóveis no momento de buscar uma propriedade.   "A ideia é deixar claro que não importa a localização ou o tipo de imóvel que se deseja adquirir, mas sim a assessoria de um profissional habilitado e conhecedor do mercado, que pode orientar o cliente a respeito de documentos necessários, obtenção de financiamentos, escritura e registro, por exemplo", afirmou o presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto.

Viana também ressaltou que a campanha apresentará à sociedade o Portal CRECISP, um endereço na internet onde os Corretores de Imóveis podem divulgar sua carteira sem ônus.
"No Portal CRECISP somente são aceitos anúncios que atendem às exigências legais. Com isso, ao consultar os imóveis disponíveis à venda ou para locação, o consumidor tem certeza de que será atendido exclusivamente por Corretores de Imóveis, evitando se tornar vítima de pseudocorretores."

Nessa primeira fase, a campanha contará também com outdoors nas praças de Campinas, Santo André, Guarulhos, Carapicuíba, Osasco, Santos, Praia Grande, Litoral Norte, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Sorocaba, Bauru, Araçatuba, Araraquara, Presidente Prudente, Jundiaí, Mogi das Cruzes, Barueri, Piracicaba, Rio Claro, Franca, Itu, Marília e São Carlos, além de busdoors em linhas intermunicipais.   "Posteriormente, vamos estender essa divulgação para a televisão, levando essa mensagem importante a toda a sociedade. Ciente dos reais prejuízos causados pelos pseudocorretores, a própria comunidade vai passar a exigir o trabalho de um Corretor de Imóveis quando quiser comprar, vender ou alugar uma casa ou apartamento", finalizou o presidente do CRECISP.


Fonte: Portal Crecisp/Saulo Brício

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Construtoras já podem aprovar crédito imobiliário Projeto-piloto entre empresas e Caixa Econômica começou nesta semana; HM, da Camargo Corrêa, e MRV assinam primeiros contratos


O prazo entre comprar um apartamento enquadrado no programa Minha Casa, Minha Vida e conseguir a carta de crédito da Caixa Econômica Federal pode ficar menor. Um projeto-piloto do banco com algumas construtoras permitirá que elas acessem o sistema da Caixa, façam uma avaliação para a concessão de crédito e aprovem o financiamento habitacional. O cliente poderá sair do plantão de vendas com um contrato de financiamento aprovado. Essa situação já se concretizou para três clientes nesta quarta-feira, dia 15, em Campinas e em Indaiatuba, no interior de São Paulo.

A HM, do grupo Camargo Corrêa, e a mineira MRV, foram as duas construtoras que realizaram os primeiros processos de concessão de crédito imobiliário on-line para clientes. “Por enquanto estamos em fase de testes, mas a Caixa deve implantar esse sistema definitivamente”, afirma Henrique Bianco,  presidente da HM, que firmou, nesta quarta-feira, um contrato por meio do projeto-piloto, em Campinas.

O diretor-executivo de credito imobiliário da MRV, José Adib Simão, confirmou que dois contratos de financiamento habitacional foram fechados nesta semana pela construtora nesta modalidade - um em Indaiatuba e o outro também em Campinas. "O prazo para conseguir a carta de crédito caiu para quatro dias. Antes, ele levava pelo menos 20 dias."

Procurada pelo iG, a Caixa confirmou as mudanças. "A Caixa remodelou o formato de atuação dos correspondentes bancários e, atualmente, este novo modelo encontra-se em fase de teste", afirma o banco, em nota. Segundo a Caixa, os correspondentes farão toda a parte operacional dos processos habitacionais dentro do novo modelo, que entrará em operação definitivamente em maio.

Construtora pode até emitir cartão
A possibilidade existe porque as construtoras são enquadradas como correspondentes bancárias da Caixa, afirmam os executivos da MRV e da HM. “Podemos realizar outros serviços, como emissão de cartão de crédito, mas o interesse é na área habitacional”, afirma Bianco. A Caixa permitiu que as construtoras testassem o sistema por meio de um projeto-piloto. A experiência foi limitada aos três processos e as construtoras terão que aguardar o modelo entrar em vigor definitivamente para voltar a aprovar os financiamentos.

Hoje, o cliente precisa apresentar toda a documentação para que a própria Caixa Econômica aprove o financiamento. Com o novo sistema, tudo será feito pelos correspondentes imobiliários, inclusive a aprovação do crédito. Assim, o banco apenas vai atestar que o processo está em conformidade. "Em poucos dias, o cliente sairá do plantão de vendas com a carta de crédito na mão", diz Simão.

Fonte:  Site mrv

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bancos preveem juro estável para crédito imobiliário em 2010

Segundo executivos, provável alta do juro básico da economia (Selic) não influenciará custo dos financiamentos.


SÃO PAULO - Enquanto o mercado financeiro discute quando e quanto o juro básico deve subir neste ano, no imobiliário o discurso é de que as taxas dos financiamentos não vão acompanhar a trajetória de alta da Selic. O principal argumento dos bancos é de que a maior parte dos recursos do crédito imobiliário é captada por meio da poupança, investimento que não sofre grandes alterações de rentabilidade quando o juro básico é modificado.


Especialistas esperam que a Selic encerre 2010 em 11,25% ao ano (ante 8,75% hoje), de acordo com o mais recente boletim Focus do Banco Central (BC), resultado de uma pesquisa com centenas de instituições financeiras e consultorias. "Os recursos do crédito imobiliário vêm da poupança. Mesmo com a Selic tendo um ajuste, não deve haver alteração nas taxas praticadas", disse o superintendente executivo de crédito imobiliário do Bradesco, Claudio Borges. Por lei, os bancos são obrigados a direcionar 65% do dinheiro da poupança a empréstimos habitacionais.


Independentemente do novo nível da Selic, a caderneta paga ao investidor 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR) - calculada a partir da taxa média dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A rentabilidade estável da caderneta faz com que o custo dos bancos ao captar o dinheiro para empréstimos imobiliários não suba caso a Selic seja elevada.


O juro do financiamento varia entre 8% e 10% ao ano mais TR. "Parte do cálculo da TR contém a Selic. Se o juro sobe, a TR deve subir também, mas a parte fixa do financiamento não deve ser alterada", afirmou o diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil, Nilson Martiniano. A TR tem um custo muito baixo para o mutuário. Nos últimos meses, tem ficado abaixo de 0,1% ao mês.


Segundo os bancos, não deve ocorrer algo parecido com o visto em outubro de 2008, quando as instituições aumentaram o juro cobrado no empréstimo imobiliário. Em alguns casos, a taxa chegou a 12% ao ano mais TR. "Não foi somente a Selic que fez o juro do crédito subir no passado. Foi uma questão de mercado", lembra o diretor de crédito imobiliário do Santander, José Roberto Machado Filho. Na época, havia o temor de que a inadimplência subiria.


Recorde


O início de ano fraco não impediu que 2009 batesse recorde de financiamento em valor e em unidades financiadas. Foram concedidos R$ 34 bilhões em empréstimos com dinheiro da poupança. No total, 302,7 mil unidades foram financiadas, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário Poupança (Abecip).


O aumento da oferta de crédito se explica, em parte, pela captação da poupança. Os depósitos bateram recorde - R$ 300 bilhões - em 2009. "No primeiro semestre, poderia dizer que inexistiu lançamento de imóveis, pois a crise fez com que as construtoras não tomassem mais empréstimos para construir e tentassem vender o estoque existente", disse o diretor de crédito imobiliário do HSBC, Antonio Barbosa.


Segundo especialistas, a confiança da pessoa física na economia aumentou agora. "O comprador ficou receoso em assumir dívidas na crise", disse o diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco, Luiz França. "Em dezembro, emprestamos R$ 2,39 bilhões à pessoa física. Houve uma volta clara ao financiamento de novos e usados."


A expectativa é de que o crédito avance neste ano. "Esperamos fechar 2010 com R$ 3,7 bilhões em crédito imobiliário", disse o gerente-executivo de empréstimos do BB, Sérgio Augusto Kurovski, que emprestou R$ 600 milhões em 2009. A Caixa Econômica Federal, líder do mercado, acredita que o crédito alcançará R$ 50 bilhões, ante R$ 47 bilhões de 2009. "O crédito imobiliário ainda representa muito pouco do PIB", frisa Barbosa, do HSBC. Segundo a consultoria Accenture, no Brasil, esse porcentual é de 2,1%, contra 65% nos EUA e 9% no México.


'Aproveitei as taxas atrativas'


Milhares de brasileios, como Junior Bueno de Camargo, de 37 anos, aproveitaram o bom momento do mercado imobiliário - de juros no nível mais baixo da história - para trocar a casa própria. "Estou morando no ABC Paulista e queria volar para São Paulo para ficar mais próximo do trabalho. Aproveitei a oportunidade de taxas atrativas e pagamento facilitado para adiquirir um apartamento no Morumbi", diz o economista, que financiou seu imóvel a um juro de 9,1% ao ano mais TR. "Vou financiar 70% do valor do imóvel e pagar em 20 anos."


Três meses de pesquisa na região e um mês oara a liberação do crédito foram suficientes para Camargo conseguir comprar o apartamento de 100 metros quadrados em novembro. "Quis omprar no fim do ano para fazer a mudança ainda durante as férias escolares dos meus filhos."



Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios



A seguir, três especialistas de diferentes setores ensinam os principais cuidados que todo comprador deve tomar antes, durante e depois do processo de compra de um imóvel na planta:


1 - Defina seus critérios: Antes de começar a peregrinação pelos estandes das incorporadoras, lembre-se que a compra de um imóvel na planta é uma transação de longo prazo. É um tipo de negócio que sempre requer muita análise prévia sobre suas necessidades e realidade financeira nos próximos anos. "A pessoa deve se perguntar qual é o tamanho da prestação que cabe no bolso e qual é a necessidade da família. Quando isso estiver claro, você está pronto para procurar o imóvel adequado para seu perfil", afirma João Crestana, presidente do Secovi-SP, o sindicato da habitação. De acordo com ele, esse simples "cálculo" é suficiente para manter o comprador longe de fechar contratos por impulso.


2 - Bisbilhote o passado da construtora: "Para escapar de problemas, firme contratos com incorporadoras que tenham uma boa reputação no mercado", diz Octávio Galvão Neto, coordenador da Câmara de Avaliação do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de São Paulo (IBAPE/SP). Não é possível chegar a conclusões concretas sobre a idoneidade da empresa com apenas algumas conversas com o corretor imobiliário no estande de vendas. Segundo especialistas, a primeira estratégia pra se prevenir de eventuais dores de cabeça com empreendimentos imobiliários é analisar o histórico da construtora. E isso demanda muita sola de sapato. É comum, por exemplo, que alguns prédios apresentem vícios na construção, como fissuras, infiltrações e outras deficiências resultantes de um mau planejamento arquitetônico - ou mesmo do uso de materiais de construção de baixa qualidade. Prever esse tipo de problema, contudo, é praticamente impossível. Por isso, aconselha Galvão, uma visita a outros lançamentos da construtora é indispensável. "Os problemas tendem a se repetir", diz. Assim, a dica é investigar com os moradores sobre possíveis atrasos na obra, problemas de infraestrutura e descumprimento de promessas. Verifique também se a empresa tem pendências na Justiça ou reclamações na Fundação Procon. Para conferir se a administradora pisou na bola com outros clientes, consulte a lista de reclamações no site do Procon.


3 - Atenção aos documentos: Para não cair em golpes, peça sempre uma cópia do memorial de incorporação da obra. Se o corretor disser que a construção ainda não possui, então nem continue a conversa. "É crime levantar um empreendimento sem estes documentos", diz Crestana, do Secovi. A lei 4591, de 1964, determina que, antes de iniciar qualquer negociação imobiliária, as incorporadoras devem registrar no cartório de imóveis um conjunto de quinze documentos. Entre eles estão a prova da propriedade do terreno, o projeto de construção aprovado pela prefeitura, o cálculo exato da área do imóvel e a descrição do acabamento e material utilizado na construção. "No memorial, tudo é descrito de maneira bem minuciosa. É preciso prestar muita atenção nesses itens", afirma Patrcia Ferraz, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Anoreg-SP). Isso porque é muito fácil se encantar com a decoração dos apartamentos em exposição ou com as promessas dos corretores. No entanto, apenas o memorial de incorporação oferece uma dimensão concreta do imóvel que está sendo comprado.


4 - Visite a obra pessoalmente: Não visitar o local de construção da obra é um dos piores erros de quem está negociando um imóvel na planta. É comum que os estandes de vendas das construtoras fiquem em locais mais movimentados, como shopping centers. Muita gente opta pelo mais cômodo e confia apenas na descrição do imóvel feita pelos corretores. O conforto, no entanto, pode virar um pesadelo quando as chaves forem entregues. "Recentemente, vistoriei um empreendimento localizado em uma rua com problema de drenagem. Chovia e a água subia quase um metro", conta Galvão Neto. Ou seja, se os futuros condôminos deste novo prédio não tiverem a precaução de conversar com os moradores da região, poderão ter uma surpresa todas as vezes que nuvens negras se formarem no céu. Bancar o detetive para apurar questões como a infraestrutura urbana, os serviços de água e esgoto e até a presença de feiras ou festas na rua é essencial. Um bom passeio pela vizinhança pode garantir também um esboço sobre a média do IPTU e das taxas condominiais da região. Por outro lado, caso você feche o contrato fora do estabelecimento comercial, o Código de Defesa do Consumidor dá o direito de desistir da compra num período de sete dias. Mas sempre vale a pena checar tudo antes de assinar o contrato.


5 - Não subestime a maquete: Por mais bonita que seja, a maquete não é mero objeto de decoração do estande de vendas. É, sim, o principal instrumento para sua tomada de decisão. Por isso, examine a composição de cada item e pergunte se o que está ali corresponde à realidade do futuro empreendimento. Assim, na hora de escolher o apartamento para comprar, guie-se pelas coordenadas da maquete. "Os apartamentos da face sul tem menor insolação, nos da face norte sempre bate mais sol", afirma o presidente do Secovi-SP. Verifique também para onde dá a vista de cada imóvel - esse tipo de questionamento pode influenciar o preço do apartamento e, no futuro, sua valorização.


6 - Tudo pode ser usado no tribunal: A prevenção é sempre uma ótima aliada para quem está adquirindo um imóvel na planta. Os especialistas recomendam que o comprador guarde todos os papeis ou registros escritos que lhe forem entregues por funcionários da administradora. Vale até folhetos promocionais e e-mails trocados com os corretores. "Tente fazer as perguntas sempre por escrito para ter uma garantia", diz Galvao Neto. Todo este material pode servir como prova caso haja algum abuso por parte da empresa. Não é regra, mas por cautela, vale registrar todo este arquivo no cartório de registro de titulos e documentos.


7 - Torne oficial: Ao fechar o compromisso de compra e venda do imóvel, muitas pessoas se esquecem de registrar o documento. No entanto, pelas leis brasileiras, a propriedade só é transferida após o registro da escritura no cartório de registro de imóveis. "Não basta verificar a vida da pessoa que está vendendo. Sem o registro, você não tem os direitos sobre a propriedade", afirma Patrícia Ferraz. Ela exemplifica com um caso em que a proprietária de um imóvel decidiu registrar a escritura em cartório apenas alguns anos após a compra. "Neste período, a pessoa que vendeu o imóvel ficou com débito na previdência e o patrimônio ficou indisponibilizado", diz. Por outro lado, se você registrar o contrato, a incorporadora será obrigada a pedir sua autorização para qualquer mudança no projeto inicial, por exemplo. Para evitar gastos em dobro no cartório, muita gente não recorre a esta conduta. No entanto, no estado de São Paulo, é possível pagar 30% do valor final do registro da escritura no registro do compromisso de compra e venda do imóvel. Os outros 70% podem ser pagos na hora de registrar a escritura.


8 - Consulte o tabelião: Neste processo, outra dica é firmar o contrato sempre com a assessoria jurídica de um tabelião. Boa parte das construtoras de imóveis tem parceria com advogados que fazem este serviço. No entanto, estima-se que a economia seja de 20% a 40% quando se estabelece uma escritura pública em vez de um contrato particular. Por não ter ligação com nenhuma das partes do acordo, a assessoria do tabelião para compor o contrato será mais imparcial e, por isso, menos arriscada para os compradores. Não são raros os casos de irregularidades neste tipo de contrato - que podem passar "despercebidas", dependendo da parceria do assessor jurídico com a incorporadora. Além disso, caso a construtora se torne inadimplente e não termine a obra, compradores que recorreram à escritura pública tornam-se automaticamente proprietários de parte do terreno onde o imóvel seria construído. Fato que garante maior segurança para a transação.


9 - Fique de olho na política de juros: Um abuso comum neste tipo de transação são os chamados juros no pé. Até a entrega das chaves, o comprador tem a garantia de que não precisará pagar juros. No entanto, assim que o imóvel fica pronto, a incorporadora passa a cobrar juros sobre todo o período financiado. Uma portaria de 2001 emitida pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça considera a prática irregular. No entanto, o assunto não é consensual entre os juristas. Há histórico de ações judiciais que deram ganho de causa para as construtoras que cobraram os juros. Para evitar problemas, recomenda-se criar uma cláusula no contrato que determine a rescisão ou devolução do dinheiro em casos como esse.


10 - Seja beneficiário do seguro: Fique atento aos contratos firmados com as companhias de seguro. Este tipo de acordo serve de garantia tanto para os casos de inadimplência do comprador quanto para irregularidades da administradora. Por isso, fique atento às clausulas que determinam quem é o beneficiário do contrato. Se for a incorporadora, em caso de atraso da obra, ela terá o direito de receber a indenização e ao comprador restará o prejuízo.


E finalmente, consulte um corretor de imóveis credenciado (como eu) de sua confiança.


Fonte: Portal Exame